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DUPL•S

APT.LAB - [2016, -]

É um dos desdobramento da pesquisa sobre corpo, som e tecnologia dos artistas, que se propõem a investigar, discutir e elaborar empiricamente as condições que possibilitam um diálogo entre a dança e a música com foco na improvisação. Dupl•s é um acontecimento que visa conjugar linguagens em algumas das problemáticas contemporâneas de suas especificidades expressivas. Prescindindo de ensaios prévios ou da construção/elaboração de uma obra em tempo diferido, os artistas convidados formam duplas, a fim de lidar com o imprevisto, o acaso e o provisório enquanto recursos de uma criação artística entre corpo e som. O projeto busca como possibilidade o desejo de re-entender o sentido de espetáculo e a valorização da composição sonoro-coreográfica que acontece no instante através de corpos que se atiram sobre o risco, movidos pelo desejo de estar presentes na experiência adaptativa da criação conjunta. Trata-se aqui da poesia envolvida entre corpos que se moldam e são conduzidos sem a segurança e a garantia de que algo determinado aconteça, mas pela certeza de que ao menos o encontro se basta para provocar a emergência das diversas camadas de uma relação, produzindo imagens, sons, movimentos, procedimentos e intensidades. Propondo a construção de uma gramática provisória que se concretiza e desfaz entre-linguagens, desenvolvendo-se a partir dos estímulos e acordos estabelecidos durante uma presença intensificada. 

 

 

 



COMO ACONTECE

O trabalho organiza-se em sessões de improvisação com duração entre 30 minutos a 1 hora, com a criação de estratégias composicionais, reflexões e práticas sobre conceitos como o acaso, o provisório, o indeterminado. O desenho de cada edição surge no encontro com o espaço de acolhimento. 

 

 

 



HISTÓRICO

DUPL•S teve sua primeira edição na cidade de São Paulo|Brasil, em 2016 e já conta em sua trajetória com a realização de dez edições e a participação de quarenta e sete artistas parceiros e colaboradores. As edições em sua grande maioria, teve como apoio uma das instituições mais relevantes do país, o SescSP. Transitando por unidades como SesC Pompéia, Vila Mariana, Campinas, Pinheiros, Interlagos, Consolação, Santana, e Sorocaba. Nessa trajetória, DUPL•S vem estabelecendo uma rede de afetos e de práticas artísticas na colaboração entre músicos e a dançarinos diversos, com distintas formações e trajetórias. Participaram ao longo deste processo os artistas: Beatriz Sano, Jorge Peña, Aline Bonamin, Tomas Rohrer, Patricia Bergantin, Paulo Hartmann, Eduardo Fukushima, Rogério Costa, Patrícia Árabe, André Damião, Érica Tessarolo, Felipe Merker, Nina Giovelli, Loop B, Cristian Duarte, Luiz Galvão, Key Sawao, Jussara Miller, Juliana Moraes, Alexandre Zamith, Pedro Macedo, Manu Falleiros, Ricardo Iazzetta, Flávio Lazzarin, Maurício Florez, Rodrigo Olivério, Isis Andreatta, Eduardo Contrera, Danielli Mendes, Dudude Hermann, Raul Rachou, Alex Dias, Clarice Lima, Flora Holderbaum, Rafaela Sahyoun, Henrique Iawo, Rogério Martins, Jorge Garcia, Leandro de Souza, Tom Monteiro, Mario Del Nunzio, Flávia Pinheiro, Hedra Rockembah, Maristela Estrela, Rayra Costa, Mariana Lemos e Migue Antar . Em 2017 foi apresentado na Casa da Luz a primeira versão do experimento intitulado Múltiplos. Em 2018 a Editora Leviatã realizou uma exposição dos materiais de registro das performances. Em 2018, o projeto realizou uma residência artística ao longo e de três meses no Sesc Santana, elaborando possíveis formatos de continuidade na pesquisa sobre improvisação entre linguagens. 

 

 

 



A imagem em movimento - outros modos de existir 

Dupl•s conta desde 2016 com parceria e apoio direto da Editora Leviatã e de seu diretor, artista e designer de vídeo Iago Mati. Juntos os artistas questionam modos e maneiras de capturar o efêmero sem o desejo de possuí-lo. Sendo a improvisação um acontecimento que abraça o instante, como produzir uma memória, daquilo que se esvai, no mesmo instante em que nasce? Como ultrapassar então o desejo de possuir o impossível e abrir espaço para que as dinâmicas de derivações aconteçam? Nesse sentido, entendemos aqui este estado de improvisação que acontece entre músico e dançarino, como um convite triangulado a este objeto/câmera que cria então uma resposta, e não uma imagem exata e fidedigna da performance. Mas o seu derivado, uma terceira coisa/matéria que surge desse encontro, desse atravessamento, e que expõe suas alterações e modificações dessa relação - a possibilidade de mistura. Em Dupl•s nos apoiamos constantemente sobre a idéia de ampliação, rede, difusão, derivação, multiplicação. Não nos interessando procedimentos e condutas que busquem lógicas restritivas e definidoras. Nesse sentido, os materiais e publicações em vídeos que se seguem, materializam de forma poética e intensa a relação entre este terceiro corpo, olho, objeto que responde e cria do atravessamento do instante compartilhado da criação artística. 

FICHA

Idealização e Direção geral: 

Talita Florêncio e Thiago Salas

Vídeo e Edição:
Iago Mati - Editora Leviatã

Plataforma de Pesquisa:
APT.LAB