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INN 

APT.LAB - [em processo]

INN faz parte de uma relação linkada entre trabalhos. Em REFUGO (2019), os artistas Talita Florêncio e Thiago Salas ( APT. LAB ), investigam a idéia de corpos que habitam espaços despovoados. Com vistas de um cenário pós-apocalíptico, questionam sobre como se dá o gesto em situações de re-aprendizagem comportamental, social e afetiva, buscando estratégias de existência nos escombros e no vazio. Nessa prática rotineira de manutenção da existência, o vazio é encarado como possibilidade de reinvenção das relações entre o corpo e o seu meio. Aqui, o gesto humano transita entre o gesto treinado e o gesto infantil, que vasculha sobre a superfície das coisas, como um deslocamento que não conhece noções de futuro e passado. O gesto do presente é marcado pelo prazer incontrolável do não-futuro. 

INN retrata figuras habitantes de uma casa vazia e as transformações de seus corpos e existências resultantes da relação entre corpo, meio e seus objetos. Os corpos que encarnam estes espaços insinuam em seus gestos e ações uma busca exploratória sobre poucos objetos e formas como quem busca interlocução ativa, resposta imediata, afeto efêmero e recíproco com as condições materiais dadas ali. O gesto estendido, lento, plástico, propõe a ideia de uma realidade onde o tempo cronológico não se faz mais coerente, nem se quer, necessário. O gesto que explora é um gesto agudo de necessidade de redescoberta, mas também, um gesto de prazer. Estas entidades transeuntes, revelam corpos que se constituem como partes da arquitetura local, e como afetos que transformam potencialmente o vazio em um espaço dinâmico, sendo cada figura fruto das relações entre cada objeto, espaço, massa e lacuna vazia. 




••• [cuco, o pássaro parasita, é um pássaro que ao nascer é levado e introjetado por sua mãe ao ninho de outra espécie. O ovo colocado pela mãe Cuco não é percebido como intruso no novo ninho. O filhote, ao nascer, empurra para fora as crias autênticas daquela ninhada, onde será criado por sua segunda mãe que permanece alimentando-o até a vida adulta. O carangueijo Eremita, por sua vez, tem na ausência de uma casa/casco a medida de sua existência. Seu corpo mole e exposto o coloca em uma posição de fácil predação para outros animais e as intempéries do ambiente. Por esse motivo, desde seu nascimento, o Eremita sai a procura de conchas vazias de outros animais que possam abrigá-lo e protege-lo. Em alguns casos carregam junto à suas conchas anêmonas que com seus tentáculos venenosos, agregam nessa relação de protoproteção, mais um dispositivo de defesa]. 

FICHA TÉCNICA

Criação e Performance:
Talita Florêncio
Thiago Salas

Design de Som:
Thiago Salas

Plataforma de Pesquisa:
APT.LAB

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